Footprints, rastros de desencanto.

São tantos caminhos a que essas imagens me conduzem… Elas fazem parte de um conjunto de 24 fotografias que compõem a Série “Footprints”. “Footprints”, “Pegadas”, são as impressões no solo deixadas por aqueles que passaram. Seu conjunto contínuo forma uma trilha que é possível se seguir, acumulando vestígios de alguém que por ali esteve, comprovando evidências de vida e comportamentos. Isso faz com que “Footprint” também seja uma medida do impacto humano sobre o meio ambiente. Neste Ensaio procuro levantar questões sobre qual o Futuro a que essas pegadas nos direcionam… O amarelo que vibra na folha, na raiz, aponta para a capacidade de regeneração do meio natural que nos rodeia. Uma metáfora para o momento crucial que estamos vivendo, onde mudanças de comportamento urgem. “Deixar os substantivos passarem anos no esterco, deitados de barriga, até que eles possam carrear para o poema um gosto de chão - como cabelos desfeitos no chão - ou como o bule de Braque - áspero de ferrugem, mistura de azuis e ouro - um amarelo grosso de ouro da terra, carvão de folhas.” Poema de Manuel de Barros. Imagens tiradas em Fevereiro de 2020, durante o verão chuvoso do Brasil, numa fazenda agrícola do interior de Minas Gerais. Reminiscências do trabalho sazonal, de homens de esforços sem vínculos, que deixam seus rastros descompromissados na terra. Traços de desencanto. Canon 5D Mark II EF100mm f/2.8L Macro IS USM.

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Categoria Ensaio/Story
Tipo Múltiplos