Espaço Público não é Privada

Um objeto ordinário e caseiro exposto à turbulência das ruas da cidade. Uma sensação de descompasso e suspenção do ordenamento político da paisagem urbana; o que era para ser privado agora é público, ou vice-versa. As fotografias de Isabella Castro têm como suporte as Intervenções Urbanas que ela realiza com Roberto Souza, inserindo uma privada de louça em espaços públicos previamente escolhidos. As intervenções surgiram como um desdobramento da peça teatral que a dupla iniciou em 2018 e que leva o mesmo nome, Espaço Público não é Privada. Conectadas pelo mesmo impulso criativo, todas as criações partem da relação com o mesmo objeto: uma privada de louça. Ela é o cenário da peça teatral, dispositivo principal da intervenção urbana e protagonista do ensaio fotográfico. Enquanto ready-made, a privada é "duchampianamente" intitulada de “O Trono” e, ao recobrar seu estatuto (anti)artístico, acirra as tensões entre arte e real; privado e público. Questiona a autoridade do artista em fazer de qualquer gesto cotidiano uma obra de arte em potencial. O ensaio fotográfico, por sua vez, refuta um mero processo de desconstrução, as fotos contêm valores pictóricos e figurativos intrínsecos às artes visuais. Cria formas particulares de expressão (as fotos/privadas) pertencentes a uma esfera cultural mais ampla (a arte da fotografia/pública), reafirmando assim a experiência de alteridade como condição do ato estético. Esta seleção de 5, das 21 fotografias da coleção, baseou-se na forte oposição volumétrica e funcional entre este pequeno objeto de louça para uso individual e monumentais estruturas coletivas, numa provocação da relação contrastante entre figura e fundo. Datas e locais das fotografias: Minhocão (SP - 2019), Sapucaí (RJ - 2021), Barcas Rio x Paquetá (RJ - 2018), Maracanã (RJ - 2021) e Mineirão (MG - 2019).

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Categoria Ensaio/Story
Tipo Múltiplos