Cachecol milenar

Stefany Marques usa tranças africanas como modo de passar pela transição capilar (processo de retirada de processos químicos dos fios em prol da textura natural dos cabelos). Muito mais que um penteado, as tranças promovem uma reeducação do olhar e comunicam ao mundo que, ali, sob tramas entrelaçadas, há uma nova pessoa/consciência prestes a surgir. Nessa imagem estão presentes dimensões temporais que mesclam o antes e o depois; um passado esquecido (alisamentos químicos) e um futuro desejado (a textura crespa). A referência à África em seu sagrado orí, sua cabeça, é também uma forma de fazer renascer, junto com suas raízes capilares rugosas, outras raízes: a de sua consciência negra — que origina-se no continente atlântico cor de ébano que atende também pelo nome de Terra Mãe.

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Categoria Gente
Tipo Obra Única